• Jose Dias

O Pedro


O Pedro era um dos meus maiores amigos quando eu tinha três a seis anos. Na casa do Pedro, a irmã Ana e a mãe Odete preparavam teatros de fantoches e lanches e trocávamos carrinhos. O Pedro morava no 11, eu morava no 13. Depois, gradualmente, fomo-nos afastando. Até ao Hot, aos meus 17, aos 19 dele, ao Pedro a tocar muitas noites. E, mais tarde, muito mais tarde, nos cruzarmos na rua muitas vezes e falarmos uns minutos. Recentemente trocámos umas mensagens e falámos de música e o Pedro foi extremamente generoso no que disse sobre a minha música. O Pedro sempre perguntava pela minha mãe, sempre queria saber onde morava eu agora, onda andava a tocar. O Pedro tinha sempre um sorriso envergonhado e doce. E agora que tenho eu um filho de três anos, penso que não se pode ser mais inocente na escolha que fazemos dos maiores amigos quando temos três anos. Escolhem-se porque riem do mesmo que nós, porque gostam do mesmo que nós, porque se gosta de estar com eles, porque são bons. E isso define quem nós vamos ser, quem somos e quem são os outros para nós. E que sorte tive eu em ter o Pedro como um dos meus primeiros melhores amigos.

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